THE ASTONISHING: Dez anos após o lançamento, será que ainda vale a pena ouvir esse álbum do Dream Theater?


Salve pessoal! Dez anos depois do lançamento (29 de janeiro de 2016), The Astonishing continua sendo um dos álbuns mais divisivos da história do Dream Theater — talvez o mais polarizador da carreira deles, ao lado de talvez apenas o Falling into Infinity em termos de hate/love ratio.A resposta curta e direta: sim, ainda vale a pena ouvir, mas com algumas condições importantes. Depende muito do que você busca no Dream Theater e da sua tolerância para certas escolhas artísticas.

POR QUE MUITA GENTE ACHA QUE NÃO VALE A PENA (OU FOI POUCO)?
É um álbum muito longo (mais de 2h10min, 34 faixas) e extremamente conceitual/rock opera, com uma história sci-fi distópica sobre música salvando o mundo. A trama e as letras são consideradas por muitos como cringey, infantis ou excessivamente melodramáticas.

Tem pouca coisa pesada. Quem curte o lado mais metal/prog metal técnico (tipo Train of Thought, Images and Words, Awake) costuma achar que falta "peso", "riff matador" e que soa mais como um musical da Broadway com teclados e solos do Petrucci.

Mesmo entre fãs dedicados, ele "caiu no esquecimento" rápido. Não é muito tocado ao vivo hoje (exceto talvez 1-2 faixas em turnês especiais), a banda quase não fala dele, e em rankings de fãs ele costuma ficar lá embaixo.

Muitos dizem que é "bonitinho", bem produzido e tocado impecavelmente, mas que falta replay value — as pessoas ouvem 1-2 vezes completas e depois só voltam em faixas isoladas (ou nunca mais).

E POR QUE AINDA VALE A PENA OUVIR?
É uma das tentativas mais ambiciosas e corajosas da banda. Depois de álbuns mais "seguros" como Black Clouds & Silver Linings, A Dramatic Turn of Events e o auto-intitulado, eles arriscaram tudo num mega conceito. Tem momentos de composição lindos, melodias cativantes e um James LaBrie em ótima forma vocal (muitos consideram um dos melhores desempenhos dele pós-lesão).

Faixas como "A Better Life", "The Path That Divides", "Moment of Betrayal", "Our New World", "Hymn of a Thousand Voices", "Ravenskill" e o final "Astonishing" são elogiadas até por quem não gosta do álbum inteiro — têm emoção, ótimos refrões e solos inspirados.

Se você gosta de concept albums épicos (tipo Scenes from a Memory, Operation: Mindcrime, The Wall, 2112), há uma chance real de curtir, especialmente se ouvir como uma ópera rock inteira, sem pular faixas.

Em discussões recentes (através de fóruns e Reddit), tem uma galera defendendo que ele está subestimado e que com o tempo pode ganhar status cult, tipo o que aconteceu com alguns álbuns prog polêmicos.

Então, se você está começando a explorar o som da banda ou quer algo mais clássico, NÃO COMECE POR ESSE ÁLBUM. Mas se por acaso, quer algo mais melódico, sinfônico ou progressivo, ou está disposto a ouvir o álbum inteiro de uma vez, prestando atenção na história, dê uma chance a ele.

Resumindo: Em 2026, The Astonishing não é essencial para todo mundo, mas continua valendo sim para quem gosta de Dream Theater em sua forma mais ousada e cinematográfica. É tipo um vinho que não agrada todo paladar, mas quem gosta defende com unhas e dentes. Felizmente, em 2019, o Dream Theater voltou aos eixos com o excelente Distance Over Time.

Vale lembrar que a banda se apresentará no Brasil em Maio, com sua Parasomnia Tour.

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