NO VERMELHO: Sem bets, XSports começa a sentir o fantasma da crise financeira


Pessoal do LSH, a XSports, emissora de Paulo Garcia, dono da Kalunga e um dos principais personagens da política do Corinthians, atrasou o pagamento dos salários de praticamente todos os seus funcionários. Somente dez profissionais haviam recebido seus vencimentos, que deveriam ter sido quitados no dia 10, e entre os contemplados estavam executivos considerados essenciais e operadores responsáveis por manter a emissora no ar.

A situação está longe de ser surpreendente, pois em Dezembro de 2025, a XSports operava sem anunciantes comerciais, sustentada basicamente pela própria Kalunga. pra piorar, em Junho deste ano a emissora anunciou uma ruptura da parceria com a ESPN, que fornecia à emissora parte importante de sua programação esportiva.

A situação financeira da controladora, porém, é ainda mais preocupante. Conferimos o balanço do segundo trimestre da Kalunga, identificando dívida líquida de R$ 471,3 milhões, apenas R$ 5,2 milhões em caixa e obrigações de curto prazo superiores a R$ 1,1 bilhão. A receita líquida havia recuado 11,7%.

O dado mais intrigante, porém, estava nos R$ 690,5 milhões que a empresa tinha a receber de partes relacionadas, dos quais R$ 672,6 milhões correspondiam a empréstimos aos próprios acionistas controladores. Ou seja, dinheiro emprestado, em contratos sem vencimento predeterminado, enquanto a companhia enfrenta dificuldades de liquidez. O atraso salarial da XSports reforça dúvidas sobre a sustentabilidade dos negócios de Paulo Garcia.

E não parou por aí por que a crise também está ligada ao fim das bets: A emissora sofreu um forte impacto comercial após a proibição e o veto às casas de apostas no país. As restrições severas e a posterior suspensão das plataformas de apostas online pelo governo federal extinguiram uma das principais fontes de faturamento de mídia e patrocínio do setor esportivo. Sem a verba publicitária das bets, a XSports viu sua sustentabilidade comercial severamente fragilizada.

O canal é extremamente dependente do fluxo financeiro de sua controladora, a rede de papelarias Kalunga. Contudo, a própria Kalunga também enfrenta um cenário delicado, acumulando uma dívida líquida de R$ 471,3 milhões apurada no segundo trimestre de 2026. Embora a diretoria da emissora tenha alegado publicamente que o atraso ocorreu devido a uma "falha operacional bancária" e prometido regularizar os pagamentos, os bastidores confirmam que o corte abrupto do dinheiro das apostas gerou um severo descompasso no caixa da empresa.

Portanto, buscar novos modelos de receita e diversificar a carteira de anunciantes com marcas de outros segmentos tradicionais — como bens de consumo, finanças e tecnologia — é o caminho mais urgente para a XSports tentar estancar a crise e garantir a sua sustentabilidade a longo prazo.

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